O nome de Nobuo Uematsu está gravado na história dos videogames. Criador das trilhas que marcaram a série Final Fantasy, o compositor japonês refletiu recentemente sobre a evolução da música nos games e sobre o papel (ou a falta dele) da Inteligência Artificial nesse cenário.
Segundo Uematsu, a tecnologia trouxe avanços impressionantes, mas também um certo risco de perder o toque humano que torna a música memorável.
“As pessoas não ouvem só as notas, elas também se conectam à história de quem criou. A IA não tem isso”, afirmou.
Para ele, o valor da arte está justamente nas imperfeições, nas nuances e na emoção que só um ser humano pode expressar.
Do Famicom às orquestras sinfônicas
Uematsu começou sua carreira na Square Enix nos anos 80, quando o Famicom (NES) oferecia apenas três canais de som. Longe de ver isso como limitação, ele encarava o desafio como um jogo dentro do jogo.
“Era divertido pensar no que dava para fazer com apenas três sons eletrônicos”, recorda.
Foi desse processo criativo que nasceram melodias icônicas, como o tema principal de Final Fantasy, que ele refinou ao longo de toda a série até chegar à versão definitiva em FF8.
Autodidata, ele trazia para suas composições uma mistura de influências improváveis, do rock progressivo de Genesis e King Crimson à música tradicional de Okinawa.
Hoje, olhando para trás, ele vê a possibilidade de gravar com orquestras e instrumentos reais como um ponto de chegada da trilha sonora nos games, mas acredita que o futuro ainda reserva experimentações com som 3D e outras imersões auditivas.
Novos rumos e o desejo de continuar criando
Após deixar a Square Enix em 2004 e fundar seu próprio selo, Uematsu passou a gerenciar suas músicas em parceria com a JASRAC, a associação japonesa de direitos autorais. Aos 65 anos, ele mantém o mesmo entusiasmo por novos projetos, mas com outra perspectiva.
“Não pretendo mais fazer uma trilha completa do início ao fim. Leva anos e consome toda a energia criativa. Quero experimentar coisas diferentes, compor temas principais, canções únicas. Talvez até algo para jogos indie”, revelou.
De três notas simples a orquestras inteiras, Nobuo Uematsu segue sendo o símbolo vivo da evolução da música nos games e prova que, enquanto houver emoção, nenhuma Inteligência Artificial será capaz de substituí-la.




