No novo documentário Second Nature: Gender and Sexuality in the Animal World, o ator e ativista Elliot Page explora o comportamento de mais de 1.500 espécies.
A produção questiona as ideias tradicionais sobre gênero e sexualidade, mostrando que a diversidade sempre fez parte do equilíbrio natural da vida.
Um olhar queer sobre o reino animal
Produzido e narrado por Page, o filme ganhou seu primeiro teaser no dia 14 de outubro.
Logo de cara, o ator provoca: “Por séculos, nos disseram que todas as espécies seguem um conjunto de regras sobre gênero e sexualidade. Mas e se essa narrativa não capturar toda a diversidade da vida?”
A produção estreou em 18 de outubro, durante o New York LGBTQ+ Film Festival, e já vem chamando atenção por oferecer uma visão mais verdadeira e muito mais interessante sobre o que é “natural”.
Como destaca o teaser, o filme “refuta muitas mentiras que nos contaram sobre a nossa natureza — e, felizmente, a verdade é muito melhor!”
A biologia desafiando o preconceito
Entre os exemplos que o documentário apresenta, estão histórias incríveis que quebram o binarismo imposto aos seres vivos.
Os peixes-palhaço, por exemplo, podem mudar de sexo; pinguins e albatrozes formam casais do mesmo gênero e criam filhotes juntos; e os bonobos, parentes próximos dos humanos, vivem em sociedades matriarcais onde o sexo entre indivíduos do mesmo gênero é uma forma cotidiana de socialização.
Esses comportamentos deixam claro que a natureza é múltipla, fluida e, acima de tudo, que ser queer é algo tão natural quanto respirar.
Aliás, essa discussão sobre como o mundo natural e o humano se cruzam em torno da identidade também aparece nos games, como em Dragon Age: The Veilguard, que causou debates, críticas e avaliações negativas pela presença de presença de Taash, personagem não-binário.
Representações diversas ainda incomodam, mesmo em 2026, o que mostra por que documentários como Second Nature são tão importantes: eles lembram que a diversidade não é invenção humana, mas uma expressão legítima da própria natureza.
Ciência, diversidade e representatividade
Além da narração de Page, Second Nature traz nomes de peso da ciência, como Dr. Joan Roughgarden, ecóloga trans, e Dr. Joseph Graves, primeiro homem negro a conquistar um PhD em biologia evolutiva.
A equipe de pesquisadores do documentário é composta por mulheres, pessoas LGBTQ+, imigrantes e cientistas BIPOC (Black, Indigenous, and People of Color), reforçando o propósito do filme de mostrar a diversidade em todas as formas de vida.
Com sensibilidade e informação, Elliot Page convida o público a repensar o que chamamos de “natural” e a perceber que a própria natureza já é, por essência, queer.




