A Krafton, publisher de inZoi, PUBG e do aguardado Subnautica 2, anunciou que vai se tornar uma empresa totalmente guiada por Inteligência Artificial.
A ideia é reformular desde o desenvolvimento de jogos até a gestão interna, com uma promessa ousada: transformar toda a operação até 2026.
Mas o anúncio não veio sozinho. A empresa enfrenta uma disputa judicial com os criadores de Subnautica 2 e agora levanta novas dúvidas sobre o impacto da IA no futuro do trabalho na indústria de games.
Um futuro guiado por IA
Durante uma apresentação intitulada “Transition to an AI First Company: The Future of Work, Company, and Individual”, o CEO Kim Chang-han explicou que o objetivo é “automatizar o trabalho com base em uma IA agente e implementar um sistema de gestão centrado em IA”.
A transição começa agora, com ₩100 bilhões (cerca de US$ 73 milhões) destinados à criação de um cluster de GPUs NVIDIA B300, infraestrutura voltada a tarefas complexas e fluxos de trabalho automatizados.
Além disso, a Krafton vai investir ₩30 bilhões anuais a partir de 2026 para treinar funcionários no uso de ferramentas de IA, por meio de um centro interno chamado AI Learning Hub.
A meta é consolidar uma cultura AI-First até o fim de 2025, reorganizando inclusive as políticas de RH para priorizar decisões baseadas em Inteligência Artificial.
Controvérsias e questionamentos
A iniciativa surge em um momento conturbado.
A Krafton ainda enfrenta uma disputa judicial com os ex-fundadores da Unknown Worlds, estúdio responsável por Subnautica 2. Eles alegam terem sido demitidos para evitar o pagamento de um bônus de US$ 250 milhões.
A publisher, por outro lado, diz que a medida foi necessária para garantir a qualidade do jogo.
O discurso otimista sobre IA também vem acompanhado de apreensão. A empresa promete reinvestir o tempo economizado em novos projetos e expansão de cargos, mas muitas pessoas da indústria veem com desconfiança uma gestão totalmente automatizada.
O tema já vem sendo discutido por outros criadores, como Motoi Okamoto, produtor de Silent Hill f, que declarou recentemente que “há decisões que a Inteligência Artificial jamais poderia tomar”.
Com a meta de concluir a transição até 2026, a Krafton promete um novo ecossistema com padronização de dados e plataformas de gestão inteligentes.
Resta saber se esse avanço tecnológico trará mais inovação ou se acenderá ainda mais o alerta sobre o espaço das pessoas no desenvolvimento de jogos.




