Você entra em uma masmorra, encontra uma porta suspeita, ouve um barulho estranho e pensa: “É claro que eu vou abrir”.
A exploração de masmorras (dungeon crawler) nasceu dessa vontade de descobrir o que existe depois do próximo corredor, mesmo sabendo que provavelmente tem um monstro esperando. Só que o conceito ficou muito maior com o passar dos anos.
O que é um jogo de exploração de masmorras / dungeon crawler?
A exploração de masmorras é um tipo de experiência em que explorar ambientes labirínticos, enfrentar inimigos, encontrar tesouros e administrar recursos formam o centro da jogabilidade.
A origem do conceito está muito ligada aos RPGs de mesa, especialmente às aventuras de fantasia em que um grupo entra em cavernas, ruínas, catacumbas e outros locais perigosos em busca de riquezas, informações ou algum objetivo específico.
Nos videogames, a fórmula ganhou diferentes interpretações:
- Um jogo pode colocar o jogador em corredores vistos em primeira pessoa, como acontece em RPGs clássicos;
- Outro pode usar uma câmera de cima e apostar em combates rápidos, como Diablo, lançado em 1996 pela Blizzard;
- Há ainda experiências que misturam masmorras com roguelike, tiro ou estratégia.
A graça está justamente nessa combinação entre exploração e risco. Cada sala pode esconder um inimigo, uma armadilha, um baú ou simplesmente uma passagem que leva a um lugar ainda pior.
E existe uma decisão recorrente nesse tipo de jogo: continuar avançando ou voltar para um lugar seguro?
Características dos jogos de exploração de masmorras
Embora o gênero tenha várias interpretações, alguns elementos aparecem com frequência.
Labirintos e ambientes cheios de segredos
A masmorra costuma funcionar como um quebra-cabeça espacial. Corredores se conectam, portas escondem áreas opcionais e certos caminhos só ficam acessíveis depois que o jogador encontra uma chave ou resolve algum enigma.
Em Etrian Odyssey, lançado originalmente em 2007 no Japão, por exemplo, o próprio jogador precisa desenhar o mapa enquanto explora o Labirinto de Yggdrasil.
A versão original para Nintendo DS usava a tela sensível ao toque justamente para registrar paredes, caminhos e pontos de interesse.
Combate e gerenciamento de recursos
Entrar em uma masmorra raramente significa sair dela com a mesma quantidade de recursos.
Poções, pontos de vida, equipamentos, dinheiro e habilidades precisam ser administrados com cuidado. Dependendo do jogo, até a posição do grupo ou a ordem dos ataques pode mudar completamente uma batalha.
Darkest Dungeon, lançado em 2016 pela Red Hook Studios, leva essa pressão para outro nível. O jogador precisa lidar com combate por turnos, estresse, fome, doenças e outros problemas enquanto conduz um grupo por diferentes áreas perigosas.

Recompensas que incentivam a exploração
Existe um motivo muito simples para abrir aquela porta que claramente parece uma péssima ideia: talvez tenha alguma coisa boa do outro lado.
Equipamentos, armas, dinheiro, habilidades e itens raros costumam recompensar quem se arrisca a explorar cada canto. O sistema cria uma relação interessante entre curiosidade e perigo.
Você pode continuar descendo para procurar uma recompensa melhor ou voltar antes que a situação fique complicada demais. Alguns jogos transformam essa escolha em uma das principais decisões da experiência.
Mapas, atalhos e caminhos alternativos
Outra característica comum da exploração de masmorras é a construção gradual do espaço.
No começo, aquele conjunto de corredores parece confuso. Depois de encontrar atalhos, memorizar salas e abrir passagens, o jogador passa a compreender a estrutura do local.
Esse tipo de design também aparece em jogos que não são dungeon crawlers tradicionais. A diferença está no quanto a exploração de ambientes fechados ocupa espaço dentro da experiência.
6 jogos dungeon crawler para conhecer
A definição de dungeon crawl ficou bastante ampla ao longo das décadas. Por isso, a lista abaixo mistura RPGs clássicos, experiências em primeira pessoa, ação e roguelikes.
1. Wizardry: Proving Grounds of the Mad Overlord
Lançado originalmente em 1981, Wizardry: Proving Grounds of the Mad Overlord é um dos grandes nomes da história do dungeon crawl. O jogador monta um grupo de aventureiros e explora um labirinto subterrâneo repleto de inimigos, armadilhas e perigos.
Em 2024, a Digital Eclipse lançou uma versão moderna em 3D, construída sobre o código do jogo original. É uma boa porta de entrada para conhecer as bases dos dungeon crawlers de RPG.
2. Diablo
Diablo, lançado em 1996 pela Blizzard, levou a exploração de masmorras para uma estrutura de RPG de ação. A aventura acontece nas profundezas da Catedral de Tristram, entre monstros, tesouros e armadilhas.
Os mapas são gerados aleatoriamente, enquanto o combate rápido e a busca por equipamentos melhores criam aquele impulso irresistível de abrir “só mais um baú”.
3. Enter the Gungeon
Enter the Gungeon, lançado em 2016 pela Devolver Digital, mistura dungeon crawling, tiro e bullet hell. As salas são geradas proceduralmente, enquanto os inimigos enchem a tela de projéteis.
O resultado é uma experiência caótica e divertida, bem distante dos RPGs clássicos. E sim, existe uma arma capaz de matar o passado. Porque uma masmorra cheia de armas absurdas aparentemente precisava de mais uma.

4. Slay the Spire
Slay the Spire, lançado em 2019 pela Mega Crit, combina exploração de masmorras, construção de baralho (amo!) e elementos roguelike. Cada partida apresenta uma rota com combates, eventos e comerciantes.
Cartas e relíquias permitem criar combinações diferentes a cada tentativa, enquanto a escolha do caminho define os riscos e as recompensas encontrados durante a subida.
5. Cult of the Lamb
Cult of the Lamb, lançado em 2022 pela Devolver Digital, mistura exploração de masmorras, ação roguelike e gerenciamento de um culto.
Sim, você leu certo. Mas não é qualquer culto: você é um cordeiro salvo por um entidade e precisa quitar sua dívida recrutando seguidores leais em seu nome.
Durante as incursões, o jogador enfrenta inimigos, coleta recursos e percorre salas geradas proceduralmente. Depois, os recursos ajudam a construir estruturas e cuidar dos seguidores, criando uma combinação curiosa e super divertida entre combate, exploração e administração.
6. Echoes of Mystralia
Echoes of Mystralia, lançado em 2026 pela Borealys Games, mistura RPG de ação, roguelite e criação de feitiços. O jogador controla Mazarim, um Watcher que explora diferentes regiões de Mystralia.
Durante as incursões, é possível enfrentar inimigos, descobrir segredos e encontrar Relíquias e Memórias. O destaque está na criação de feitiços, com combinações de elementos que permitem adaptar as habilidades ao estilo de combate.
Por que a exploração de masmorras continua tão divertida?
A exploração de masmorras funciona porque transforma curiosidade em mecânica. O jogador sabe que existe algum perigo pela frente, porém também sabe que pode encontrar algo para ficar mais forte.
Essa combinação cria um ciclo muito fácil de entender e difícil de abandonar. Explorar, lutar, encontrar recompensas, ficar mais forte e decidir até onde continuar.
A fórmula mudou bastante desde Wizardry, mas sempre vamos querer descobrir o que tem na próxima sala.
Qual é o seu dungeon crawler favorito? Conta pra mim nos comentários.




