Essa é a quarta ou quinta vez que finalizo a história principal de Cyberpunk 2077 (dessa vez, no PC), já tendo feito 100% das conquistas em outra plataforma.
Escolhi o caminho Nômade, que ainda não havia experimentado, começando fora dos limites sufocantes de Night City, nas Badlands.
A experiência foi diferente em alguns pontos, claro, mas uma coisa ainda não mudou: o quanto eu amo esse jogo.
O projeto Cyberpunk 2077
Lançado em 2020, Cyberpunk 2077 é um RPG de ação em mundo aberto desenvolvido pela CD Projekt Red, o mesmo estúdio responsável por The Witcher 3: Wild Hunt.
Inspirado no universo do RPG de mesa Cyberpunk 2020, criado por Mike Pondsmith, o jogo coloca o jogador na pele de V, uma mercenária (ou mercenário) tentando sobreviver em Night City, uma metrópole dominada por tecnologia, violência e megacorporações.
No lançamento, o jogo ficou marcado por uma recepção bastante turbulenta. Bugs, problemas de desempenho e versões problemáticas em consoles fizeram com que ele se tornasse um dos lançamentos mais controversos da indústria nos últimos anos.
Com o tempo, porém, atualizações massivas corrigiram boa parte desses problemas. Quem decidiu dar uma segunda chance ao jogo acabou encontrando algo que sempre esteve ali: um RPG ambicioso, com uma das narrativas mais densas e marcantes dos videogames recentes.
Hoje, Cyberpunk 2077 é lembrado menos pelos tropeços do lançamento e mais pela experiência narrativa que conseguiu construir.

Night City e suas escolhas desconfortáveis
Cyberpunk 2077 é um dos meus jogos favoritos de todos os tempos, e é realmente difícil apontar o que mais me encanta em Night City.
A estética cyberpunk me ganha fácil. Mas, se eu precisar escolher, diria que é a história. Ela me prende de um jeito quase desconfortável.
A narrativa em primeira pessoa molda diálogos, relações e possíveis finais. Cada escolha muda o tom das conversas. Às vezes, muda destinos inteiros.
Gosto muito das mecânicas, da árvore de habilidades e da liberdade de construir V como eu quiser, seja focando em força bruta, reflexos rápidos ou inteligência, por exemplo. O sistema de implantes cibernéticos amplia ainda mais essa personalização.
Também curto demais as mecânicas de hackear sistemas, distrair inimigos e causar danos à distância.
Talvez a única parte que não me cative tanto sejam as Neurodanças. Entendo a proposta investigativa, mas, para mim, elas quebram um pouco o ritmo.

A metáfora das megacorporações, identidade e legado
Night City, dominada por megacorporações, é uma metáfora sobre como o capitalismo extremo corrói tudo ao redor. Relações viram contratos, pessoas viram produtos, corpos viram plataformas de upgrade.
Existe uma sensação constante de que ninguém ali é realmente livre, nem mesmo quem acredita estar no topo.
Você, no papel de uma mercenária (ou mercenário), passa a dividir a própria consciência com um chip experimental contendo a mente de Johnny Silverhand, ex-militar desertor, morto no passado por Adam Smasher, que usava a música para combater empresas e o governo.
A partir desse momento, você precisa lidar com a própria mortalidade enquanto tenta sobreviver a um sistema que descarta pessoas sem hesitar.
A convivência forçada com esse “fantasma digital”, para mim, é um dos pontos mais interessantes da narrativa.
Não é apenas sobre salvar a própria vida. É sobre identidade, legado e o que sobra quando as corporações controlam até a memória.

Histórias impossíveis de abandonar
Os conflitos sociais e morais do universo de Cyberpunk 2077 são densos e bem construídos. Não existe escolha totalmente limpa. Sempre há consequências.
Ainda não tive a oportunidade de jogar a DLC Phantom Liberty, lançada em 2023, mas isso deve mudar em breve.
E, como sempre acontece, não consigo me despedir de Night City. Nos próximos dias, com certeza vou passar horas e horas atrás das conquistas que ainda faltam.
Algumas histórias são impossíveis de abandonar. Cyberpunk 2077 vale a pena porque é uma delas.



