O que são jogos beat ‘em up? Dos fliperamas à atualidade

Os jogos beat ‘em up marcaram gerações com uma fórmula simples e irresistível: avançar pelas fases distribuindo socos, chutes e combos em hordas de inimigos.

Dos fliperamas barulhentos aos consoles modernos, esse gênero, também conhecido como “briga de rua”, conquistou fãs com ação direta e cooperativa.

Mas de onde surgiu essa pancadaria digital? E como os jogos beat ‘em up evoluíram dos clássicos da era 16-bit até as experiências atuais?

O que é um jogo beat ‘em up?

Beat ‘em up é um gênero dos videogames de ação em que o jogador controla um personagem que enfrenta grandes grupos de inimigos em combates corpo a corpo.

A progressão costuma acontecer por fases lineares: derrotar todos os adversários de uma área permite avançar para a próxima.

O combate geralmente é simples de aprender, com golpes básicos como socos, chutes e agarrões. Ao longo do caminho também aparecem armas improvisadas e itens que recuperam energia.

No final das fases, é comum encontrar um chefão mais forte.

Outro elemento clássico é o modo cooperativo, que permite que duas ou mais pessoas enfrentem os desafios juntas.

As origens do gênero nos fliperamas dos anos 1980

Antes de se tornarem populares nos consoles domésticos, os jogos beat ‘em up nasceram nos fliperamas. Parte da inspiração veio do cinema, especialmente dos filmes de artes marciais das décadas de 1970 e 1980.

Produções estreladas por Bruce Lee mostravam protagonistas enfrentando vários inimigos em sequência até chegar ao confronto final com um grande adversário.

Essa estrutura acabou influenciando diretamente a forma como muitos jogos passaram a organizar suas fases.

Kung-Fu Master (Imagem: Reprodução / Irem)

Kung-Fu Master (1984)

Um dos primeiros marcos do gênero foi Kung-Fu Master, lançado em 1984 pela Irem.

No jogo, o personagem principal sobe uma torre enfrentando inimigos em cada andar enquanto tenta resgatar uma personagem sequestrada.

A estrutura de progressão, que consistia em avançar derrotando inimigos e enfrentar um chefe ao final da fase, ajudou a estabelecer uma das bases dos jogos beat ‘em up.

Nekketsu Kōha Kunio-kun / Renegade (1986)

Outro passo importante veio com Nekketsu Kōha Kunio-kun, lançado em 1986 pela Technōs Japan e conhecido no Ocidente como Renegade.

O jogo introduziu um formato de movimentação que se tornaria padrão no gênero. Em vez de andar apenas para frente e para trás, o personagem também podia se mover para cima e para baixo no cenário.

Essa mudança deu mais liberdade durante os combates e deixou as brigas mais dinâmicas.

Além disso, o jogo ajudou a popularizar histórias de brigas de rua e gangues, temas que se tornariam muito comuns nos jogos beat ‘em up nos anos seguintes.

A era de ouro dos beat ‘em up nos anos 16-bit

Se existe um momento em que os jogos beat ‘em up dominaram o mundo dos videogames, foi no final dos anos 1980 e início dos anos 1990.

Esse período ficou conhecido como a “era de ouro” do gênero, principalmente por causa dos fliperamas e dos consoles 16-bit.

Naquela época, era comum entrar em um arcade e ver várias pessoas reunidas ao redor de uma máquina. O objetivo era simples: avançar pelas fases, derrotar dezenas de inimigos e sobreviver até o chefão final.

Quando esses jogos chegaram aos consoles domésticos, como Mega Drive e Super Nintendo, a diversão continuou no sofá de casa.

Quem não tem uma história de um game beat ‘em up e algumas bolhas nos dedos para contar, não é verdade?

Double Dragon (Imagem: Reprodução / Technōs Japan)

Double Dragon (1987)

Um dos jogos mais importantes para o gênero foi Double Dragon, lançado em 1987 pela Technōs Japan.

O jogo colocou duas pessoas no controle dos irmãos Billy e Jimmy Lee, que enfrentam uma gangue violenta para resgatar Marian. A grande novidade estava no modo cooperativo, que permitia que duas pessoas jogassem juntas.

Essa mecânica se tornaria uma marca registrada dos jogos beat ‘em up. Afinal, poucas coisas são tão satisfatórias quanto enfrentar uma multidão de inimigos ao lado de alguém.

Final Fight (1989)

Outro clássico que ajudou a consolidar o gênero foi Final Fight, lançado em 1989 pela Capcom.

A história acompanha personagens como Cody, Guy e Haggar tentando recuperar Metro City do controle de uma organização criminosa. Cada personagem possui golpes e estilos diferentes, o que traz variedade para o combate.

Além disso, o jogo impressionava pelo visual detalhado e pelos inimigos variados. Para muitas pessoas que jogavam nos fliperamas, Final Fight virou praticamente um símbolo do gênero.

Golden Axe (1989)

Nem todos os jogos beat ‘em up se passam em cenários urbanos. Um ótimo exemplo disso é Golden Axe, lançado em 1989 pela Sega.

Em vez de gangues de rua, o jogo aposta em um cenário de fantasia medieval. Aqui, personagens enfrentam soldados, monstros e criaturas mágicas enquanto buscam derrotar o vilão Death Adder.

O jogo também trouxe personagens com estilos diferentes e ataques únicos, incentivando experimentar cada um deles e aumentando bastante a rejogabilidade.

Streets of Rage 2 (1992)

Quando falamos da era 16-bit, é impossível ignorar Streets of Rage 2, lançado em 1992 pela Sega para Mega Drive.

O jogo refinou quase tudo que já funcionava no gênero. Os movimentos ficaram mais fluidos, os personagens ganharam novos golpes e a trilha sonora eletrônica virou um clássico.

Para muitas pessoas que jogam até hoje, Streets of Rage 2 ainda é um dos melhores exemplos de como um jogo beat ‘em up deve funcionar. E sim, estou inclusa nesse grupo de fãs.

A transição para o 3D e o declínio do gênero

No final da década de 1990, a indústria dos videogames passou por uma grande mudança. Os gráficos tridimensionais começaram a dominar os consoles e os arcades.

Com isso, muitos gêneros que dependiam de cenários 2D perderam espaço. E os jogos beat ‘em up foram um dos que mais sentiram essa mudança.

A indústria começou a apostar em jogos de luta em arenas 3D, shooters e experiências de mundo aberto. O público também passou a buscar mecânicas mais complexas e narrativas mais elaboradas.

Die Hard Arcade (Imagem: Reprodução / Sega)

Die Hard Arcade (1996)

Uma das primeiras tentativas de adaptar o gênero foi Die Hard Arcade, lançado em 1996 pela Sega.

O jogo trouxe gráficos tridimensionais e um sistema de combate mais variado, com muitos golpes e armas improvisadas. Também introduziu eventos rápidos durante as cenas, algo que se tornaria comum em vários jogos anos depois.

Apesar das novidades, a transição para o 3D não foi suficiente para manter o gênero no centro da indústria.

Fighting Force (1997)

Outro exemplo dessa fase foi Fighting Force, lançado em 1997 pela Core Design.

O jogo apresentava cenários tridimensionais onde quatro personagens enfrentavam inimigos em ambientes mais abertos. A proposta era modernizar a fórmula clássica dos jogos beat ‘em up.

No entanto, a recepção foi apenas mediana. Muitos jogadores sentiram que o combate havia perdido parte da fluidez presente nos clássicos 2D.

The Bouncer (2000)

No início dos anos 2000, surgiu The Bouncer, lançado em 2000 pela Square para PlayStation 2.

O jogo tentou transformar o gênero em uma experiência cinematográfica, com muitas cenas de história e produção ambiciosa. A ideia era combinar ação de beat ‘em up com elementos narrativos mais fortes.

Apesar da expectativa alta, o resultado dividiu opiniões. Pouco tempo depois, o gênero praticamente desapareceu dos grandes lançamentos da indústria.

Mas isso não significa que os jogos beat ‘em up realmente morreram. Eles apenas começaram a se transformar em algo diferente.

E é justamente aí que entra a próxima etapa dessa história.

Quando os beat ‘em up evoluíram para o hack and slash

Mesmo quando o gênero perdeu espaço nos anos 2000, a essência dos jogos beat ‘em up não desapareceu. Na verdade, ela acabou evoluindo para um novo tipo de experiência: os chamados jogos hack and slash.

A ideia básica continuava parecida: um personagem enfrentava grandes grupos de inimigos enquanto avançava por cenários cheios de combate.

A diferença é que agora tudo acontecia em ambientes tridimensionais maiores, com sistemas de luta mais complexos.

Em vez de apenas socos e chutes, esses jogos passaram a enfatizar armas, combos elaborados e habilidades especiais.

O ritmo também ficou mais cinematográfico, com campanhas mais longas e batalhas espetaculares.

Devil May Cry (Imagem: Reprodução / Capcom)

Devil May Cry (2001)

Um dos títulos que ajudaram a definir esse novo caminho foi Devil May Cry, lançado em 2001 pela Capcom.

No jogo, controlamos Dante, um caçador de demônios que enfrenta hordas de criaturas usando espadas, armas de fogo e combos extremamente estilosos.

O combate exige reflexos rápidos e domínio das mecânicas para manter o ritmo da luta.

Embora tenha sua própria identidade, Devil May Cry herdou várias ideias dos jogos beat ‘em up, especialmente o foco em derrotar muitos inimigos em sequência.

God of War (2005)

Outro exemplo importante dessa evolução é God of War, lançado em 2005 pela Santa Monica Studio.

O jogo acompanha Kratos em uma jornada violenta inspirada na mitologia grega. A ação combina exploração, quebra-cabeças e combates contra grandes grupos de inimigos.

Aqui, a fórmula dos jogos beat ‘em up aparece em uma escala muito maior. As batalhas são intensas, cheias de combos e com inimigos surgindo constantemente durante as fases.

Bayonetta (2009)

Mais tarde, Bayonetta, lançado em 2009 pela PlatinumGames, levou essa ideia ainda mais longe.

O jogo ficou conhecido por seu combate extremamente técnico e estilizado. Cada batalha recompensa quem domina combos complexos e sabe reagir rapidamente aos ataques inimigos.

Assim como outros títulos do gênero, Bayonetta mostra como a base dos jogos beat ‘em up continuou viva, apenas adaptada para um estilo mais moderno de ação.

O renascimento dos beat ‘em up na era moderna

Enquanto alguns jogos seguiam o caminho do hack and slash, outra parte da indústria começou a olhar novamente para as raízes do gênero.

A partir dos anos 2010, vários estúdios, principalmente independentes, passaram a resgatar a fórmula clássica dos jogos beat ‘em up em duas dimensões. O objetivo era recuperar aquela sensação dos arcades e dos consoles 16-bit.

Esse movimento veio acompanhado de um forte apelo nostálgico. Muitos jogos modernos mantêm o visual retrô, mas adicionam mecânicas atualizadas e modos cooperativos online.

Dragon’s Crown (Imagem: Reprodução / Vanillaware)

Dragon’s Crown (2013)

Um exemplo interessante é Dragon’s Crown, lançado em 2013 pela Vanillaware.

O jogo mistura elementos de RPG com a estrutura tradicional de beat ‘em up. Cada personagem possui habilidades próprias e pode evoluir ao longo da campanha.

Além disso, o visual desenhado à mão chamou muita atenção na época do lançamento. Ele mostrou que ainda havia espaço para reinventar o gênero sem abandonar suas raízes.

Streets of Rage 4 (2020)

Outro grande marco desse renascimento foi Streets of Rage 4, lançado em 2020 pela Dotemu.

Mais de duas décadas depois do terceiro jogo da série, a franquia voltou com gráficos desenhados à mão e uma jogabilidade extremamente fiel aos clássicos.

Ao mesmo tempo, o jogo trouxe novas mecânicas, personagens adicionais e modos extras. O resultado agradou tanto fãs antigos quanto pessoas que estavam descobrindo os jogos beat ‘em up pela primeira vez.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge (2022)

O sucesso do gênero continuou com Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, lançado em 2022 pela Tribute Games.

Inspirado nos arcades dos anos 1990, o jogo reúne vários personagens jogáveis e permite partidas cooperativas com até seis pessoas ao mesmo tempo.

Ele prova que a fórmula clássica dos jogos beat ‘em up ainda funciona muito bem quando combinada com mecânicas modernas.

Beat ‘em up é pancadaria que nunca sai de moda

Pode até parecer que os jogos beat ‘em up ficaram presos ao passado dos fliperamas. Mas a verdade é que o gênero nunca desapareceu de verdade.

Ao longo das décadas, ele se transformou, inspirou novos estilos de ação e encontrou espaço em projetos independentes e grandes produções.

Seja em aventuras 3D cheias de combos ou em jogos 2D cheios de nostalgia, a essência continua a mesma: avançar, enfrentar inimigos e dominar o combate.

Qual jogo beat ‘em up marcou a sua história nos videogames? Conta pra mim nos comentários.

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Giovanna Coppola
Giovanna Coppola

Uma das minhas memórias mais antigas sou eu com cerca de 6 anos deixando o Mega Drive ligado a noite toda porque não podia perder meu progresso em Sonic the Hedgehog. Esse projeto nasceu do meu amor por jogos eletrônicos. Hoje compartilho notícias, análises e reflexões sobre games, além de falar sobre tecnologia, k-dramas, séries, filmes, livros, periféricos e gadgets. Também abordo temas importantes para mim, como feminismo, diversidade e representatividade. Meu objetivo é criar um espaço seguro especialmente para mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e aliados que se interessam por esses temas.

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