Shard Squad é daqueles jogos que fazem as horas sumirem sem aviso. Lançado no final de 2025, o indie brasileiro que mistura roguelike de ação, bullet hell e coleção de criaturas me acompanhou por 52 horas, com algumas pausas no caminho, até eu fechar 100% das conquistas.
Nesta review, conto o que me prendeu, o que achei da DLC de vento e onde o jogo poderia ser melhor.
O que é Shard Squad?
A proposta é simples e viciante: você monta um esquadrão de criaturas elementais e enfrenta hordas de inimigos em diferentes cenários.
A cada partida, escolhe Shards de acordo com as sinergias entre eles para liberar novas habilidades, além de equipar relíquias que mudam o rumo da run. O objetivo é sobreviver e salvar suas terras.
Comecei a jogar Shard Squad em um momento pessoal delicado, e o jogo conseguia me desligar de tudo por alguns instantes. Parece pouco, mas quem já passou por uma fase difícil sabe o quanto esses respiros importam.
Fiz pausas ao longo dos meses por motivos pessoais, e sempre que voltava, a sensação era a mesma: a de estar em um lugar confortável.
Caos na tela, controle nas mãos
Shard Squad é uma bagunça organizada. Conforme a partida avança, a quantidade de informação na tela cresce muito: inimigos, ataques, companheiros de esquadrão, pontos e elementos do mapa, tudo ao mesmo tempo.
Mesmo assim, os desenvolvedores criaram um ambiente em que o caos completo não faz você se perder. Dá para acompanhar seu personagem, os aliados de time e cada ameaça com clareza, algo raro em jogos bullet hell.

Pixel art caprichada, mapas estratégicos e zero frustração
A pixel art é um dos pontos mais fortes do jogo. Cada criatura, inimigo e cenário tem um cuidado visível nos detalhes.
Os mapas também oferecem desafios variados, e a criatura escolhida faz diferença: um cenário que parece impossível com um personagem pode ficar bem mais tranquilo com outro, o que incentiva a testar combinações e a pensar antes de começar cada run.
Mas o que mais me conquistou foi outra coisa. Em Shard Squad, os upgrades são necessários para avançar, como em todo bom roguelite, só que o jogo não te deixa com raiva nem frustração.
Diferente da maioria dos títulos do gênero, perder uma run não dá vontade de jogar o controle na parede. Você simplesmente quer tentar de novo, e quando percebe, já se passaram horas.
Bom humor e referências por todo lado
Uma coisa que acho muito legal em Shard Squad é o bom humor, com referências fáceis de reconhecer em vários pontos do jogo.
Tem um personagem lutador chamado Liu Kong, uma conquista chamada “RonalDex!”, em que você precisa fazer embaixadinhas com o personagem Dex, e uma relíquia chamada Chinela de Madeira, que, segundo a própria descrição, arremessa uma chinela na direção oposta do seu dash.
Não tem como um jogo assim ser ruim.


DLC de vento: barata e com boas novidades
Em março de 2026, chegou uma DLC com quatro personagens novos, desta vez do elemento vento. As habilidades deles são diferentes do que o jogo já tinha, e não se trata de mais do mesmo: a forma de jogar muda e tudo fica mais interessante.
A arte dos novos personagens é linda, e aquela sensação boa de vitória continua lá, do jeito que prende fácil. Pelo preço, nem se fala: menos de 5 reais por um conteúdo muito bem feito, que deixa o jogo ainda mais viciante.
Onde Shard Squad poderia melhorar?
Gosto de fazer 100% das conquistas, e confesso que as duas últimas foram um pouco tediosas.
A primeira era desbloquear todos os contos, o que basicamente exigia algumas runs com combinações diferentes de personagens e relíquias. Nada difícil, só repetitivo.
A segunda levou mais tempo: desbloquear todas as receitas do chef Jokan, que exigem muitos bixies. Para quem também quer encarar essa conquista, esse é o esquema que funcionou para mim:
- Equipe a relíquia Cofrinho Royal;
- Jogue no Vale das Tecessombras;
- Chegue até o boss Troffugo e deixe os caramujos vivos;
- Pare em um canto do mapa e fique farmando a área do porquinho até uns 40 ou 45 minutos de partida.
Cada run assim rendeu entre 40 e 45 mil bixies.

Outro ponto que me incomodou um pouco: apesar dos personagens terem elementos, características e sinergias variadas, alguns padrões de ataque, embora diferentes no visual, não são tão distintos na prática.
Vale a pena jogar Shard Squad?
Depois de 52 horas, finalizei o jogo completo e, tirando esses pontos negativos, aproveitei cada momento. Shard Squad entrega caos bem dosado, pixel art caprichada e uma progressão que motiva em vez de punir.
Se você curte roguelites mas não gosta tanto da frustração típica do gênero, este é o jogo certo para você. E não deixe de pegar a DLC de vento: pelo preço, é praticamente obrigatória.






Deixe um comentário