O que são jogos narrativos? Tipos e exemplos de games

Giovanna CoppolaPublicado em: Última atualização:
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Detroit: Become Human (Imagem: Divulgação / Quantic Dream)

Tem gente que ainda torce o nariz quando escuta que um jogo “não tem muita jogabilidade”. Como se apertar botões sem parar fosse o único jeito legítimo de se divertir com um videogame.

Os jogos narrativos existem justamente para provar o contrário. Neles, a história ocupa o centro da experiência, e cada mecânica, cenário ou diálogo trabalha a favor do enredo. Você joga para descobrir o que acontece, e não para bater recorde.

Vamos ver o que define esse estilo, quais são os principais tipos e alguns títulos para começar.

O que são jogos narrativos?

Jogos narrativos são games em que a história é o elemento principal da experiência. Em vez de priorizar combate, pontuação ou desafios de habilidade, eles focam em personagens, diálogos, escolhas e descobertas que fazem o enredo avançar.

Na prática, a jogabilidade existe para contar a história. Explorar um quarto, ler uma carta ou escolher uma resposta em uma conversa pode ter mais peso do que derrotar qualquer chefe.

Nas lojas digitais, como a Steam, esses jogos costumam aparecer também sob as tags “Story Rich” (rico em história) e “Choices Matter” (escolhas importam).

As classificações se misturam bastante: nem todo jogo com história forte tem decisões que mudam o rumo da trama, mas boa parte dos jogos narrativos combina as duas coisas.

Como surgiram os jogos narrativos

Antes dos gráficos, existiam as aventuras em texto. Nos anos 1970 e 1980, jogos como Zork apresentavam a história por escrito e esperavam comandos digitados, como “abrir porta” ou “ir para o norte”.

Com a evolução técnica, as aventuras gráficas assumiram o posto. Hoje, a narrativa aparece em produções de todos os tamanhos, dos indies feitos por uma pessoa só aos grandes lançamentos.

Características dos jogos narrativos

Cada título tem o seu estilo, mas alguns elementos aparecem com frequência no gênero:

  • Enredo e personagens no centro da experiência;
  • Ritmo mais lento, que valoriza a exploração e a observação;
  • Diálogos, textos e documentos que revelam a história aos poucos;
  • Escolhas que alteram relações, cenas ou o final do jogo;
  • Pouco ou nenhum combate, com desafios mais leves.

Quais são os tipos de jogos narrativos?

O rótulo é amplo e abriga estilos bem diferentes entre si. Alguns quase não exigem habilidade, enquanto outros misturam a história com quebra-cabeças ou ação.

Gone Home (Imagem: Divulgação / Fullbright)

Walking simulator

O nome nasceu como deboche, mas o gênero abraçou o apelido. Nesses jogos, você explora um ambiente, quase sempre na perspectiva dos jogos de FPS, e monta a história a partir de objetos, cartas e lembranças. Gone Home, Firewatch e What Remains of Edith Finch são exemplos clássicos.

Visual novel

Muito popular no Japão, a visual novel combina texto, ilustrações e trilha sonora, com escolhas pontuais que mudam o rumo da trama. Funciona quase como um livro interativo. Steins;Gate e VA-11 Hall-A estão entre os nomes mais lembrados.

Aventura point and click

Aqui, a história avança conforme você clica em objetos, combina itens no inventário e resolve enigmas. O estilo point and click marcou os anos 1990 com Monkey Island e Grim Fandango e segue vivo no cenário independente, inclusive no Brasil, com títulos como Au Revoir, do Invisible Studio.

Jogos de escolhas

Nesse formato, cada decisão pesa. Salvar um personagem, mentir para outro ou ignorar um pedido de ajuda pode mudar cenas inteiras e definir o desfecho. Life is Strange, The Walking Dead e Detroit: Become Human são referências.

RPGs e jogos de ação com foco na história

Nem todo jogo narrativo abre mão do combate. Alguns RPGs e jogos de ação colocam o enredo no mesmo nível da jogabilidade. Disco Elysium resolve quase tudo no diálogo, enquanto The Last of Us usa a ação para aprofundar o vínculo entre os protagonistas.

O terror também conversa muito com o gênero, principalmente nos subgêneros psicológico e cósmico, que aparecem entre os tipos de jogos de terror.

Jogo narrativo é jogo de verdade?

É. Pergunta respondida, próximo tópico.

Brincadeiras à parte, a dúvida aparece com frequência e costuma vir de quem acredita que jogo bom precisa ser difícil.

Gone Home, por exemplo, recebeu críticas pesadas no lançamento, em 2013, de quem achava que ali não havia nada para fazer. Anos depois, o jogo é lembrado como um marco para histórias mais íntimas e diversas nos games.

A interatividade é o que separa um jogo narrativo de um filme ou de um livro. Você não assiste à história: você caminha por ela, escolhe o que investigar e, muitas vezes, carrega o peso das próprias decisões.

Por onde começar?

Se você nunca jogou nada do gênero, títulos curtos são uma boa porta de entrada. What Remains of Edith Finch e Firewatch duram poucas horas e mostram bem o potencial do estilo.

Para quem quer mais impacto nas escolhas, Life is Strange é uma aposta segura. Da mesma desenvolvedora, Don’t Nod, tem também Lost Records: Bloom & Rage, um dos meus jogos favoritos da vida e que já avaliei aqui no blog.

Como muitos jogos narrativos são independentes e baratos, dá para encontrar vários deles em promoção, principalmente na Nuuvem.

Conta pra mim nos comentários: qual história de videogame você nunca esqueceu?


Giovanna Coppola

Aos 6 anos, eu deixava o Mega Drive ligado a noite inteira para não perder meu progresso em Sonic the Hedgehog. Nunca mais larguei o controle. Aqui escrevo sobre games, tecnologia, k-dramas, livros e cultura pop, sem deixar de lado feminismo, diversidade e representatividade. Um espaço seguro para mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e aliados.

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