Tipos de jogos de terror: do psicológico ao terror cósmico

Giovanna CoppolaPublicado em: Última atualização:
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Resident Evil Requiem (Imagem: Divulgação / CAPCOM Co., Ltd.)

Todo mundo conhece alguém que jura não gostar de jogo de terror e, cinco minutos depois, confessa que zerou Resident Evil três vezes. O problema raramente é o gênero inteiro. É o tipo de medo.

Os tipos de jogos de terror variam bastante: alguns apostam no susto que faz você arremessar o controle, outros preferem corroer a sua cabeça devagar, com culpa, solidão e perguntas sem resposta. Tem jogo em que você atira em tudo e jogo em que a única defesa disponível é a porta do armário.

Vamos conferir os principais subgêneros de terror nos games, o que define cada um e alguns títulos para começar (ou para nunca mais apagar a luz).

Quais são os tipos de jogos de terror?

Os principais tipos de jogos de terror são survival horror, terror psicológico, found footage, jumpscare, terror cósmico ou existencial, terror sem combate e terror multiplayer. Um mesmo jogo pode misturar dois ou três estilos, então encare as categorias como pistas, não como gavetas trancadas.

Survival horror

O avô da turma. No survival horror, você tem armas, mas nunca munição suficiente, e cada bala desperdiçada vira arrependimento duas salas depois. Gestão de inventário, quebra-cabeças e portas trancadas fazem parte do pacote.

O termo se popularizou em 1996, com o primeiro Resident Evil, embora Alone in the Dark já tivesse aberto caminho alguns anos antes. A fórmula clássica envolve explorar cenários labirínticos, economizar recursos e decidir quando vale a pena enfrentar um inimigo ou simplesmente desviar dele.

Os remakes recentes de Resident Evil trocaram a câmera fixa pela visão sobre o ombro, típica dos jogos de tiro em terceira pessoa, sem perder a tensão. A ameaça continua a mesma: a certeza de que o próximo corredor pode ser o último.

Exemplos:

  • Resident Evil 2;
  • Dead Space;
  • Signalis.

Terror psicológico

Aqui, o monstro mais assustador costuma ser a mente do protagonista. O terror psicológico trabalha com culpa, trauma, paranoia e uma realidade que muda quando você vira as costas. Você termina a partida sem saber direito o que viu, e a intenção é exatamente essa.

Em vez de hordas de criaturas, o medo vem de ambientes que se repetem, vozes que ninguém mais escuta e símbolos que só fazem sentido no final. Silent Hill 2 virou referência por transformar cada monstro em reflexo da culpa de James Sunderland.

Alguns jogos levam a proposta para lugares inesperados. Doki Doki Literature Club! se disfarça de simulador de namoro fofinho antes de quebrar a quarta parede, e Hellblade: Senua’s Sacrifice retrata a psicose com apoio de especialistas em saúde mental.

Exemplos:

  • Silent Hill 2;
  • Doki Doki Literature Club!;
  • Hellblade: Senua’s Sacrifice.
Hellblade: Senua’s Sacrifice (Imagem: Divulgação / Ninja Theory)

Found footage

Inspirado em filmes como A Bruxa de Blair, o found footage coloca uma câmera nas suas mãos. A tela imita a gravação, com ruído, visão noturna e uma bateria que sempre acaba na pior hora. Quase todos usam a mesma perspectiva dos jogos de FPS, só que sem a parte de revidar.

A graça está na limitação: você enxerga apenas o que a lente alcança, e a escuridão fora do enquadramento faz o resto do trabalho.

Em Outlast, por exemplo, a visão noturna da câmera é a única forma de enxergar no escuro, então as pilhas viram o item mais disputado do jogo.

Exemplos:

  • Outlast;
  • MADiSON;
  • Content Warning.

Jumpscare

O famoso “eita, que susto”. A tensão sobe, o silêncio pesa e, de repente, um rosto deformado surge colado na tela com um som estourado. Funciona? Funciona. Mas, quando é a única carta na manga, o efeito dura tanto quanto o coração acelerado.

O jumpscare explora um reflexo do corpo: o sobressalto acontece antes mesmo de o cérebro entender o que viu. Por isso, o susto pega até quem já sabe que ele vem.

Five Nights at Freddy’s transformou a mecânica em fenômeno: você passa a noite de olho nas câmeras de segurança e economiza energia à espera do animatrônico na porta. O formato virou febre entre streamers, porque reação ao vivo rende cortes infinitos.

Exemplos:

  • Five Nights at Freddy’s;
  • P.T.;
  • Poppy Playtime.
Five Nights at Freddy’s (Imagem: Divulgação / Scott Cawthon)

Terror cósmico ou existencial

Herdeiro da obra de H.P. Lovecraft (autor com um racismo tão monstruoso quanto as criaturas que inventou), o terror cósmico não quer que você grite. Quer que você se sinta pequeno diante de forças antigas, incompreensíveis e indiferentes à sua existência.

Nesses jogos, a ameaça raramente pode ser derrotada. No máximo, adiada.

Muitos títulos usam mecânicas de sanidade, em que encarar o desconhecido distorce a tela e altera o que o personagem percebe. Em Bloodborne, por exemplo, o atributo Insight revela coisas que antes eram invisíveis, e saber demais cobra o seu preço.

A vertente existencial troca os deuses tentaculares por perguntas sobre consciência, identidade e o que sobra de nós quando tudo acaba. SOMA é o exemplo mais lembrado: o horror maior não está nas criaturas do fundo do mar, e sim no que significa copiar uma mente.

Exemplos:

  • Bloodborne;
  • SOMA;
  • Call of Cthulhu.

Terror sem combate

Sem armas, sem chance. Nesses jogos, a estratégia se resume a correr, se esconder e torcer para o monstro não olhar debaixo da cama. A sensação de impotência deixa cada corredor mais angustiante.

Amnesia: The Dark Descent popularizou o formato em 2010 e influenciou uma geração de jogos independentes.

A lógica é simples e cruel: se você não pode lutar, cada barulho vira ameaça. Ficar tempo demais no escuro ou encarar a criatura também drena a sanidade, então até se esconder exige cálculo.

Alien: Isolation elevou a aposta com um único alienígena impossível de matar, guiado por uma inteligência artificial que aprende com o seu comportamento. Aquele armário que salvou você na primeira vez talvez não funcione na segunda.

Exemplos:

  • Amnesia: The Dark Descent;
  • Alien: Isolation;
  • Little Nightmares.
Alien: Isolation (Imagem: Divulgação / SEGA)

Terror multiplayer e cooperativo

Dividir o medo com amigos parece uma ótima ideia até alguém ficar para trás aos gritos no microfone. Esse tipo de jogo aposta em caça a fantasmas, partidas assimétricas e muito caos. Alguns até combinam terror com o formato de tiro de extração.

Os formatos mais comuns são o cooperativo, em que o grupo enfrenta a ameaça junto, e o assimétrico, em que uma pessoa assume o papel do monstro contra as demais, como em Dead by Daylight.

Em Phasmophobia, a equipe precisa identificar o tipo de fantasma a partir de pistas e evidências. Detalhe: com o microfone ligado, o fantasma escuta o que você fala, inclusive quando alguém resolve provocá-lo pelo nome.

Exemplos:

  • Phasmophobia;
  • Lethal Company;
  • Dead by Daylight.

Qual tipo de jogo de terror combina com você?

Se você gosta de estratégia e de sentir que ainda tem alguma chance, comece pelo survival horror. Se prefere histórias que ficam na cabeça por dias, aposte no psicológico ou no cósmico. Agora, se a ideia é rir de nervoso com a galera, o multiplayer resolve.

E se você jura que não gosta de terror, talvez só não tenha encontrado o seu tipo de pesadelo ainda.

Qual é o seu terror favorito? Conta pra mim nos comentários.


Giovanna Coppola

Aos 6 anos, eu deixava o Mega Drive ligado a noite inteira para não perder meu progresso em Sonic the Hedgehog. Nunca mais larguei o controle. Aqui escrevo sobre games, tecnologia, k-dramas, livros e cultura pop, sem deixar de lado feminismo, diversidade e representatividade. Um espaço seguro para mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e aliados.

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