Desenvolvido pelo estúdio brasileiro Cyber Monkey Studios, distribuído pela GoGo Games Interactive e lançado em acesso antecipado em 2024, Cyberwar: Neon City entrega ação intensa em um cenário cyberpunk dominado por macacos cibernéticos.
Recebi uma chave para testar e, depois de quase 15 horas de gameplay, trago minhas impressões sobre o que funciona bem e o que ainda precisa melhorar.
Se você quer saber se Cyberwar: Neon City vale a pena, continue comigo!

Cyberwar: Neon City
Em Cyberwar: Neon City, a ação acontece em um universo cyberpunk dominado por macacos cibernéticos.
Quem joga, assume o controle de Printer, um clone que revive a cada derrota, e de sua inseparável arma-tubarão, Blue, que dispara projéteis dos mais variados tipos.
Ainda em acesso antecipado, ele já conta com cinco andares diferentes. Cada andar possui dungeons que podem trazer:
- Upgrades para o personagem;
- Junks, que são recursos usados para fazer melhorias permanentes no personagem;
- Cyber Moedas, que podem ser utilizadas nas lojas para comprar drones que ajudam nos ataques, dashes que causam dano adicional e até descontos;
- As próprias lojas;
- “Recompensas”, que podem ser boas ou ruins, girando uma máquina caça-níquel (falo sobre isso mais à frente);
- Um pouco de vida;
- Um encontro com um mini-boss;
- E o boss final.


A estrutura lembra outros roguelites de sucesso, como Cult of the Lamb (2022), com rotas alternativas em cada nível, o que garante mais variedade a cada tentativa.
Além disso, existe um sistema de árvore de habilidades para progressão permanente e diferentes versões do Blue — atualmente quatro das seis armas estão disponíveis, cada uma com mecânicas próprias.
O que gostei e o que não gostei no jogo
Depois de quase 15 horas em Cyberwar: Neon City, ficou claro que o jogo tem pontos muito fortes, mas também alguns detalhes que ainda precisam de ajustes.
No começo, a sensação é de que você nunca vai conseguir avançar. Depois de uma ou duas horas, o jogo te fisga de vez e fica difícil largar.
Só que, ao avançar um novo andar, volta aquela impressão de que chegar ao último nível é impossível.
O que mais marcou minha experiência foi justamente essa montanha-russa de emoções: ora acreditando que ia conseguir, ora achando que não; ora me divertindo, ora ficando frustrada.
Teve noite em que fui dormir com raiva e, no dia seguinte, acordei animada para tentar de novo.
Para organizar melhor minha experiência, separei os aspectos que mais gostei e os que me incomodaram durante a jogatina.


Pontos positivos
- Desde o começo, o estilo gráfico em pixel art chama a atenção. A ambientação cyberpunk — que, aliás, é um subgênero que eu curto demais — cria uma identidade forte para o game;
- As músicas e os sons de combate elevam a tensão das batalhas e combinam bem com o ritmo acelerado de Cyberwar: Neon City;
- O Blue, sua arma-tubarão, tem até seis versões (quatro já disponíveis) e cada uma muda completamente a forma de jogar, o que é bacana para não cair na mesmice;
- Cada versão do Blue tem suas características, ataques e efeitos passivos, o que pode agradar estilos variados de gameplay. A que mais me adaptei foi a segunda opção, a única que tem shield como recurso. Acredite em mim: sem shield fica complicado demais;
- A árvore de habilidades permanente e os drones de apoio são os recursos que mais ajudam na progressão;
- O hub, onde você fica antes de cada nova tentativa, é muito bonito visualmente e gostoso de explorar;
- Entre os recursos disponíveis estão as tatuagens, que você pode aplicar antes de cada nova tentativa. Elas oferecem bônus aleatórios, como aumento de dano ou de escudo, por exemplo, ajudando a dar um impulso extra na próxima run.


Pontos negativos
- No início, a cura desbalanceada é um ponto que desanima. Um único golpe pode tirar 40 pontos de vida, enquanto as dungeons de cura oferecem apenas 25 pontos de recuperação. Esse contraste deixa as batalhas desnecessariamente punitivas, pelo menos até você evoluir suas habilidades e começar a receber pontos de vida automaticamente ao concluir cada dungeon;
- Pesaram a mão em alguns subchefes, especialmente os que lançam projéteis em todas as direções. Mesmo usando dash e escudo, é impossível não tomar dano, o que causa um pouco de frustração;
- Apesar de começar promissora, a narrativa perde força depois de algumas horas;
- O nível com máquina caça-níquel é o que menos faz sentido. Além de precisar pagar para girar, você ainda pode acabar recebendo dano em vez de uma melhoria, o que vai contra a ideia de “recompensa”;
- Desbloquear todos os upgrades permanentes exige repetir os mesmos andares muitas e muitas vezes, o que pode ser cansativo em alguns momentos. O mesmo acontece para desbloquear todas as skins disponíveis;
- Nas primeiras horas, você vai morrer para inimigos simples e repetir o mesmo andar várias vezes até aprender os padrões de ataque. A curva de aprendizado acaba sendo um pouco mais dura do que deveria.
Cyberwar: Neon City vale a pena?

Apesar dos pontos negativos, Cyberwar: Neon City me divertiu bastante.
É um daqueles jogos desafiadores que não deixam de recompensar a dedicação, e isso é exatamente o que se espera de um bom roguelite.
O visual em pixel art é envolvente, a atmosfera cyberpunk funciona muito bem e a variedade de armas e upgrades garante partidas sempre diferentes, apesar de frustrantes em alguns momentos.
Claro, ainda existem ajustes importantes a serem feitos. Mas, considerando que o jogo está em acesso antecipado, há espaço para melhorias e novos conteúdos, e eu tenho certeza que toda a equipe está empenhada nisso.
No fim das contas, recomendo a experiência. É um indie brasileiro cheio de identidade, com potencial para crescer ainda mais.
Se você curte desafios e não se incomoda com o fato de morrer dezenas de vezes até aprender a lidar com cada inimigo, vale dar uma chance.
E aí, o que você achou de Cyberwar: Neon City? Já jogou ou pretende jogar? Conta pra mim nos comentários.



