Roguelike ou roguelite: quais as diferenças e características?

Alguns amam, outros torcem o nariz; é aquele clássico caso de “8 ou 80”. Estou falando dos gêneros roguelike e roguelite.

Assim como muita gente ainda confunde remake, remaster e reboot, também surgem dúvidas quando o assunto é a diferença entre roguelike e roguelite. E para deixar claro desde já, isso não tem relação alguma com soulslike, apesar da impressão inicial.

Apesar das semelhanças e de algumas características que se sobrepõem, cada um desses gêneros nasceu de um jeito próprio e seguiu caminhos diferentes.

O que é roguelike?

Roguelike, como o nome sugere, nasce do jogo Rogue, lançado em 1980. A lógica é simples: Rogue (o jogo) + like (parecido). Ou seja, um roguelike é um game que segue a mesma estrutura do clássico.

Em Rogue, você explora masmorras em busca do Amuleto de Yendor. O que tornou o game tão marcante foram características específicas, começando pela morte permanente, ou permadeath.

Se você morre, é game over. Seu personagem e todo o progresso desaparecem, sem opção de carregar um save. É recomeçar do zero.

Outro ponto essencial: cada nova tentativa gera um cenário totalmente novo, graças aos mapas aleatórios. E, no caso dos roguelikes mais tradicionais, o combate também é por turnos, assim como no Rogue.

Esses três pilares (permadeath, mapas gerados proceduralmente e combate por turnos) formam a base do gênero.

Em 2008, durante uma conferência de desenvolvedores, surgiu até uma definição oficial: a Interpretação de Berlim.

Ela lista outras cinco características importantes:

  • Movimento em grade;
  • Complexidade com várias soluções possíveis;
  • Ações realizadas a qualquer momento (não-modalidade);
  • Gerenciamento de recursos;
  • Combate estilo hack and slash.

Muitos dos títulos usam gráficos simples em ASCII, uma marca registrada dos roguelikes tradicionais.

Rogue (Imagem: Divulgação / Pixel Games UK)

Exemplos de jogos roguelike

Clássicos do gênero incluem Hack (1982), sua evolução NetHack (1987), Moria (1983), Ancient Domains of Mystery (1994) e Angband (1990).

O que é roguelite?

A partir dos anos 2000, muitos estúdios independentes começaram a usar elementos de roguelike, como morrer e recomeçar, em jogos que não seguiam todas as regras do gênero. Assim nasceu o roguelite, também chamado de “roguelike-like”.

A lógica do nome é simples: Rogue + lite (“leve”). Ou seja, são jogos inspirados em Rogue, mas com abordagens menos rígidas.

Roguelites costumam ter morte permanente e mapas gerados aleatoriamente, mantendo a estrutura básica dos roguelikes.

A diferença é que, ao morrer, você conserva parte das melhorias ou recursos adquiridos, o que permite avançar cada vez mais e cria uma sensação de progresso, algo ausente nos roguelikes tradicionais.

Enquanto o roguelike encerra sua tentativa, o roguelite transforma cada morte em uma oportunidade de fortalecer o personagem e desbloquear vantagens permanentes.

Outra diferença é a variedade. Roguelites misturam estilos, como plataforma, ação e estratégia, enquanto os roguelikes clássicos ficam mais próximos de RPGs de masmorra e dificuldade elevada. Também tendem a ser experiências mais curtas.

Dead Cells (Imagem: Divulgação / Motion Twin)

Exemplos de jogos roguelite

Alguns exemplos populares de roguelite são Dead Cells (2017), Hades (2020), Slay the Spire (2017), Crypt of the NecroDancer (2015), Nuclear Throne (2015) e FTL: Faster Than Light (2012).

A DLC Valhalla de God of War Ragnarök, lançada em 2023, também trouxe um modo inspirado no gênero.

Então, qual é qual?

Para resumir: roguelike é o gênero que segue um conjunto de características bem específicas, como morte permanente, mapas gerados aleatoriamente e combate por turnos.

Já os roguelites usam parte dessas mecânicas, mas combinam tudo com outros estilos de jogo.

Os roguelites também trazem níveis aleatórios e morte permanente, mas permitem manter algumas habilidades ou recursos que ajudam nas tentativas seguintes.

A filosofia dos games roguelite/roguelike é diferente. Nos roguelikes, o foco está na jornada e no desafio constante, não exatamente em “zerar”. A vitória é possível, claro, mas não é o ponto central.

Nos roguelites, a proposta é ter partidas mais curtas, nas quais você desbloqueia habilidades, melhorias ou personagens que, aos poucos, levam ao final do jogo.

Dá para dizer que, nos roguelites, a meta é encontrar a combinação perfeita de ingredientes para vencer, como acontece em Cyberwar: Neon City, game indie brasileiro que testei recentemente e adorei.

E você? Já conhecia as diferenças entre roguelike e roguelite? Conta pra mim nos comentários.

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Giovanna Coppola
Giovanna Coppola

Uma das minhas memórias mais antigas sou eu com cerca de 6 anos deixando o Mega Drive ligado a noite toda porque não podia perder meu progresso em Sonic the Hedgehog. Esse projeto nasceu do meu amor por jogos eletrônicos. Hoje compartilho notícias, análises e reflexões sobre games, além de falar sobre tecnologia, k-dramas, séries, filmes, livros, periféricos e gadgets. Também abordo temas importantes para mim, como feminismo, diversidade e representatividade. Meu objetivo é criar um espaço seguro especialmente para mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e aliados que se interessam por esses temas.

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