Todo mundo já ouviu que inbento é aquele jogo para relaxar no fim do dia: gatos fofos, comida bonita e nenhuma pressa. Lançado em 2019 pelo estúdio Afterburn, o puzzle culinário tem cara de chá de camomila para a sua biblioteca.
A promessa se cumpre, mas só até certo ponto. Em algum momento, a camomila vira café forte, e o bentô começa a cobrar um preço que nem todo cérebro está disposto a pagar. O meu, pelo menos, não estava.
Um bentô de gatos com cara de livro ilustrado
A premissa é simples. Cada fase mostra uma foto da lancheira pronta e um punhado de ingredientes. Sua tarefa é girar, mover e encaixar tudo na ordem certa até chegar ao resultado.
São mais de 120 receitas, com tutorial sem texto e interface em português. Ninguém precisa saber fritar um ovo para jogar, felizmente.

O visual é o que mais encanta. O traço delicado, as cores suaves e as animações dos ingredientes deixam cada tela agradável de olhar. Dá vontade de parar só para admirar uma bolinha de arroz.
Entre os capítulos, ilustrações interativas contam a história de uma família de gatos e dos altos e baixos da maternidade e da paternidade. A narrativa é simples, sem grandes reviravoltas, mas gostosa de acompanhar. Funciona como recompensa e dá aquele empurrão para seguir adiante.


Quando o relaxante vira tentativa e erro
Na primeira metade, a dificuldade é bem dosada. Novas mecânicas surgem aos poucos, como trocar, remover e copiar ingredientes, e a lógica de cada combinação fica clara.
Dali em diante, o cenário muda. As receitas passam a exigir sequências longas, e acompanhar o efeito de cada movimento na cabeça fica bem mais difícil. Para mim, o jogo virou um exercício de tentativa e erro, sem muita noção de por que algo dava certo.
Talvez seja só o tipo de quebra-cabeça que meu cérebro não acompanha tão bem. Fãs de desafios de lógica espacial provavelmente vão se divertir mais.
Mas, como eu não tinha a menor intenção de terminar um jogo de gatinhos irritada, recorri a um guia da metade até o final. E não me arrependo.
Com essa ajuda, fechei todas as conquistas em pouco menos de 4 horas. Sem guia, imagino que o tempo chegue perto do dobro, conforme a sua afinidade com o gênero.

Para quem inbento faz sentido
inbento não é um jogo ruim. Ele é bonito, caprichado e entrega o que promete para quem gosta de puzzles de padrão e sequência.
Só não espere o jogo mais relaxante da sua vida se esse estilo não for o seu forte. O rótulo de casual engana: dependendo das suas habilidades, a lancheira pesa mais do que parece.
Para quem procura algo tranquilo de verdade, talvez faça mais sentido olhar outros títulos aconchegantes. Agora, se você gosta de quebrar a cabeça sem pressa, o bentô está servido, e por um preço bem camarada.
E você, já jogou inbento ou prefere puzzles que não exigem tanto esforço mental? Conta pra mim nos comentários.






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